ARTIGO
por Maestro Roberto Farias (*)
Na festiva tarde de 1º de dezembro de 2024, a Banda Sinfônica de Cubatão realizou o 4º concerto da Série SINFONIA NO PARQUE, levada a efeito graças a Emendas Impositivas destinadas pelo Legislativo Cubatense e com total apoio da Secretaria Municipal de Cultura, tendo como tradicional cenário o Espaço Multimídia do Parque Anilinas.
Com um repertório integralmente dedicado à música brasileira, o pioneiro do movimento musical de Cubatão, que tem a sua origem na Banda Musical Afonso Schmidt, grupo idealizado pelo Maestro Roberto Farias no ano de 1970 e oficializado como Banda Musical de Cubatão, através da Lei Municipal n. 1.102, vindo a constituir-se na atual Banda Sinfônica de Cubatão, que neste ano de 2025 celebra os seus 55 anos de atividades ininterruptas, a Série SINFONIA NO PARQUE, em seus cinco concertos, esteve sob a batuta dos maestros Roberto Farias (Coordenador Artístico), Marcos Sadao Shirakawa (Regente Titular), Ulysses Damacena (Regente Adjunto), além de André Farias e Romulo Moreira (Regentes Associados).
Vale destacar que o concerto do dia 1º de dezembro, pode-se dizer, foi a coroação desse exitoso empreendimento, quando contou com duas importantes estreias mundiais, a exuberante IBIS ESCARLATE – O Voo do Guará!, do jovem compositor Fernando Britto e que foi objeto de matéria anterior e a esplêndida MOORLAND VISTAS, para saxofone-soprano e banda sinfônica, do compositor inglês Peter Koval, radicado no Brasil há quatro décadas, considerado um dos maiores expoentes do repertório brasileiro para o grande conjunto de sopros e percussão, a banda sinfônica.
MOORLAND VISTAS é um divertimento com uma Introdução e três movimentos (Allegro – Lento – Allegro) e está baseada num motivo de cinco notas que aparece no primeiro compasso da Introdução, dando origem ao primeiro tema, esse que transita entre as tonalidades maior e menor.
A peça foi inspirada nas memórias de juventude do compositor e retrata as vistas maravilhosas da paisagem dos montes Peninos (norte da Inglaterra). Essa paisagem (chamada “moorland” em inglês) é terra das montanhas não cultivada, com ondulações em sua maior parte e com áreas irregulares e acidentad
as. Moorland Vistas, segundo o compositor, não é uma “música descritiva” no senso de que tenta descrever algumas cenas particulares, mas leva o ouvinte a imaginar as cores esplêndidas do “moorland” em vários momentos da peça e sentir o grito lamentoso do maçarico-real nas notas altas e penetrantes imprimidas pelo instrumento-solista (o saxofone-soprano).
MILTON VITO, músico de irretocável excelência artística, demonstra pleno domínio técnico dessa maravilhosa criação do belga Adolph Sax ((Dinant, 6 de novembro de 1814 — Paris, 7 de fevereiro de 1894), o saxofone e como era de esperar, esmerou-se na interpretação fiel de MOORLAND VISTA
S, a exemplo do que foram as vezes anteriores em que atuou como solista frente ao mesmo grupo, na interpretação da emblemática Fantasia para Saxofone, do mais brasileiro de todos brasileiro, o nosso Heitor Villa-Lobos, somando-se a extasiante Rapsódia para Saxofone, do francês Claude Debussy (ícone do impressionismo musical) além da deliciosa Oblivion, do argentino Astor Piazzolla, em primorosa versão para saxofone e banda, entre outras.
(*) Maestro Roberto Farias – Compositor, Comendador, Chanceler e Imortal da Academia de Música do Brasil; Diretor Geral do MUSICAD – Seminário Permanente de Regência e Presidente de Honra do IC-BASIC Instituto Cultural Banda Sinfônica de Cubatão
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